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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Especial 7 filmes de terror para a noite de Halloween

Para homenagear o momento do ano em que mais se fala de cinema de terror, esta importada noite das bruxas (que por cá já é pão por Deus há muitos mais anos), decidimos sugerir 7 filmes de terror, de entre 7 subgéneros que pintam o enorme espectro que é o género do terror. Como de subgéneros está o horror cheio, para o ano haverá mais por esta altura. Boa cerimónia!

#1 O Slasher - The Texas Chainsaw Massacre (1974)

Um clássico é sempre um clássico e neste subgénero caberiam muitos outros, de Halloween ao remake de The Hills Have Eyes. Texas Chainsaw Massacre é pioneiro no slasher, ainda derivativo do terror exploitation, que coloca um grupo de amigos de visita ao Texas rural nas mãos de uma sádica família canibal. Ao estilo documentário, criativo e curiosamente artisticamente bem realizado, este massacre é claustrofóbico, intenso, perturbador e violento, com um toque low budget que ao invés de lhe retirar credibilidade acrescenta-lhe realismo. Além disso, de entre Freddy Krueger, Jason ou Michael Myers, entre outros, a brutalidade da figura aqui antagonista, Leatherface, de serra eléctrica descomprometida na mão, é produto de horror impotente imediato irresistível.


#2 O Assombrado - The Haunting (1963)

Para o subgénero sobrenatural decidimos escolher mais um clássico. Em The Haunting, um psicólogo convence um grupo de estranhos a participar numa experiência numa mansão pretensamente assombrada, procurando demonstrar a existência do paranormal. Não demora muito tempo até que o realizador Robert Wise entre na cabeça do espectador com a dúvida da existência de algo sobrenatural na mansão através de alguns fenómenos inexplicáveis. O preto e branco é eficaz no seu misterioso trabalho (o que se esconderá atrás de cada porta ou por baixo da lareira...) e a atmosfera gótica que se vive na mansão é algo de apaixonante.



#3 O Slow Burner - The House of The Devil (2009)

Não nos cansamos de elogiar The House of The Devil, de Ti West, um filme de terror recente que consegue lugar próprio junto dos grandes filmes do género. Insere-se num subgénero de terror lento, construído passo a passo de forma misteriosa até atingir um glorioso climax que compensa toda a espera que tivemos a observar uma jovem babysitter numa mansão cuja missão é estar a postos para cuidar de uma idosa que nunca chega a sair do quarto... A atmosfera anos 80, com uma excelente realização e cinematografia, fazem deste um portento do género. Em alternativa, o recente The Invitation fará igualmente as delícias dos espectadores que não se importam de ser recompensados com um grande final.


#4 O Exploitation - Cannibal Holocaust (1980)

É o filme exploitation por excelência, com gore visceral e literalmente real. Ruggero Deodato não poupou as imagens chocantes que exibe no seu falso documentário acerca de uma equipa de realização que desaparece quando procura filmar uma tribo canibal sem escrúpulos na densa Amazónia. É certo que há imagens que pertencem ao reino dos efeitos especiais (toda a violência humana), mas os animais mortos, os órgãos, tudo isso é real e continua tão chocante como quando foi lançado, tendo mesmo o realizador sido condenado pelo crime de obscenidade. É um filme difícil de ver, capaz de deixar qualquer um maldisposto com a sua audácia. Alternativamente neste subgénero a sugestão vai para The Last House on The Left (1972) de Wes Craven.


#5 O Demoníaco - Rosemary's Baby (1968)

Considerado por muitos o melhor filme de terror de sempre, Rosemary's Baby, de Polanski, cria as bases que viriam a ser usadas em muitos filmes de terror no futuro. Uma errática, compulsiva e eficaz Mia Farrow interpreta uma jovem que, com o seu marido, se muda para um novo apartamento repleto de vizinhos suspeitos, que irão dar azo a uma série de paranóias quando a nossa personagem descobre que está grávida. Aqui o oculto, o satanismo, o terror psicológico e o horror corporal fundem-se numa constante aura de desconforto e mistério que eficazmente passa do écrã para o espectador.


#6 O Home Invasion - You're Next (2011)

Se dentro do subgénero home invasion You're Next é um dos melhores de sempre, dentro do terror em geral é sem dúvida um dos melhores e mais interessantes dos últimos anos. Energético, violento, carismático e cheio de humor negro, Adam Wingard transforma um encontro familiar numa banho de sangue quando um grupo de criminosos começa a interferir com esta casa isolada. É gratificante assistir a You're Next, acompanhando a sua inesperada heroína numa corajosa remontada contra os invasores, carregada de ironia e humor negro que só podia dar certo. Em alternativa, o também recente The Strangers cumpre o papel.


#7 O Série B - Evil Dead (1981)

Há poucos filmes tão assustadores e satisfatórios como a fantástica banhada série B realizada por Sam Raimi no ínicio dos anos 80. Aqui um grupo de jovens vai passar uns dias a uma casa velha de madeira perdida no bosque, apenas para descobrir um passado de forças ocultas que não tardará a estragar-lhes os planos. Os efeitos especiais, totalmente práticos (maquilhagem e plástico com fartura) são um regalo para os olhos, num misto de terror e comédia, tão fabulosamente exagerados, assim como a violência que transportam, que são só por si um marco. Isto aliado a uma realização amadoresca e interpretações duvidosas fazem deste o filme de terror série B por excelência, provavelmente a mais perfeita sugestão para uma noite de horror com um grupo de amigos.


domingo, 11 de setembro de 2016

Especial Motelx 2016 - Dia #4: Cannibal Holocaust (1980), February (2015), Sam Was Here (2016)



Continuamos no Motelx 2016 para o seu quarto dia de festival, onde vimos o icónico Cannibal Holocaust, de 1980, apresentado pelo próprio realizador Ruggero Deodato, February de Osgood Perkins e Sam Was Here, o low-budget horror de Christophe Deroo. Foi um dia interessante pela possibilidade de ver o filme proibido de Deodato, mas infelizmente o resto não satisfez.

Cannibal Holocaust: Este é o infame filme de Deodato, considerado por muitos como o filme mais perturbador e violento de todos os tempos, que foi banido em diversos países tendo inclusivamente originado a detenção do realizador que teve que provar em tribunal que os actores do filme estavam vivos. não se tendo livrado de uma pena suspensa de 4 meses por obscenidade. É um exploitation horror que usa o conceito de found footage para desvendar o que aconteceu a uma equipa de produção que foi para a Amazónia realizar um documentário sobre as tribos canibais, altamente violentas, da região. E é de facto chocante, ainda hoje em dia, muito pela utilização de imagens hiper-realistas que dão um cunho perturbador provavelmente nunca antes visto em cinema. Deodato não se fica pela tortura, mutilação, violação e exposição de órgãos do ser humano, entre canibais e ocidentais exploradores, como que observando o comportamento natural destas tribos altamente violentas. Além disto, Deodato filma a morte sem escrúpulos de alguns animais levada a cabo pelas personagens, e é engraçado ver como a audiência reage em 2016 à violência de Cannibal Holocaust, em que aparentemente a morte dos animais (real e sem artifícios) choca mais que uma mulher empalada como vemos na imagem. Além de todo o conteúdo extremo deste exploitation, é na realidade a camera de Deodato a grandes estrela que transporta todo o realismo das tribos filmadas na floresta virgem da Amazónia, de uma observação fria e letal, manietada, sem poder reagir. É realmente notável o marco que Deodato conseguiu atingir com Cannibal Holocaust, horrivelmente obsceno e ofensivo para muitos, sim, mas a verdade é que puxa os limites da imagem em cinema a um máximo. Haverão outros como ele com certeza, mas o horror inerente ao seu próprio conceito e localização é incontornável.




February: Não é fácil analisar February porque efectivamente não estamos perante um filme ignorante, que use lugares comuns para criar um filme de terror slow burn, de ritmo lento e atmosférico. Acompanhamos duas alunas de um colégio interno cujos pais ainda não as foram buscar para passar as férias de Inverno, vendo-se forçadas a aguardar na escola por uns dias, apenas acompanhadas por duas funcionárias. A intenção é clara: criar uma atmosfera de tensão e desconforto em crescendo para um desenlace que se pretenderia satisfatório, mas isso está longe de acontecer. Existem aqui bons momentos de cinema, particularmente em alguma da cinematografia, mas tudo o resto é demasiado pobre. O desenvolvimento de personagens, que aqui é parte absolutamente decisiva para o desenlace, é praticamente inexistente, e o ritmo lento a que a trama se desenvolve, em paralelo observando uma terceira rapariga que está a caminho do colégio, não possui qualquer substância que acompanhe o seu estilo imagético, que até é bastante bom. Adoramos terror slow burn, é talvez o favorito (The House of the Devil, por exemplo, é uma obra prima), mas em February nem o crescendo nem o clímax têm algo mais a oferecer que a sua imagem, provocando desinteresse num vazio argumentativo, que não passa de uma linha expositiva de acontecimentos com pouco ou nenhum significado e impacto para o espectador.




Sam Was Here: Foi no Motelx a estreia internacional de Sam Was Here, primeira longa-metragem do francês Christophe Deroo, que infelizmente é demasiado low-budget para o seu próprio bem. A ideia é boa: um vendedor que se vê isolado nas paisagens do deserto do Mojave, na Califórnia, onde aparentemente tudo está abandonado e as pessoas desapareceram. A única coisa que existe e funciona é um programa de uma rádio local que vai informando acerca de um assassino que estará à solta nas redondezas. Dito assim parece que estamos perante um filme interessantíssimo, mas infelizmente a execução, que em cinema se sobreporá sempre à ideia, é demasiado deficiente, o que é pena porque Deroo está cheio de boas intenções com este Sam Was Here, que até tem uma boa cinematografia, mas será só. A interpretação principal deixa muito a desejar, assim como os diálogos, nunca conseguindo saltar aquela barreira que separa o filme amador do profissional, o que em alguns momentos é constrangedor. Se Deroo tivesse tido melhores ferramentas para trabalhar, e um budget substancialmente maior, Sam Was Here seria certamente totalmente diferente.