Life, que coloca em cartaz Jake Gyllenhaal, Rebecca Ferguson e Ryan Reynolds, abre com um longo plano sequência de apresentação ao espaço, nave e personagens, tão desnecessário e pretensamente entusiasmante, com banda sonora de suspense vinda de lado algum, que é difícil passar esses primeiros minutos sem revirar os olhos pelo menos um par de vezes. É difícil perceber o que pretende exactamente o filme de Daniel Espinosa e os seus astronautas que de forma poética descobrem o primeiro organismo celular vivo (bicho lindo e fofo que vai virar vilão carniceiro) fora da Terra. A única forma de encarar Life como um produto positivo é olhando para ele enquanto homenagem série B rasca a alguma linguagem de terror e ficção espacial, e à cabeça está logo Alien, o mais recente Gravity e Sunshine, mas está longe de ser assim. Nota-se um esforço quase hercúleo de criar ligação entre o espectador e as personagens, deixando bem claro que quer ser imprevisível num argumento que se antevê previsível. Por vezes até consegue e será essa a única coisa realmente valorizável em Life, esse retirar de tapete com algum gore num filme que até certo momento são apenas passarinhos, flores e música inspiradora. Nenhum dos actores consegue fazer nada de jeito, até pelos diálogos cliché repletos de one-liners ridiculamente escritos pelos argumentistas de... Deadpool. Assim já se percebe o motivo de Ryan Reynolds fazer parte do cast, a interpretar aqui um Deadpool sem máscara que já enjoa, que não pode servir de tapa buracos e fita cola para tudo o que vier à cabeça dos argumentistas para criar ligação entre as personagens na sua apresentação ao espectador. Jake Gyllenhaal, excelente actor, faz o que pode para liderar o filme quando lhe deixam, porque a bem do navegar contra a corrente há que dar o mesmo screen time a todos. Decisão errada, pois claro, porque esta equipa de astronautas nunca consegue, ao longo dos 104 minutos de filme, ser mais do que máscaras de estereótipos sofrivelmente desenvolvidos. Não é uma perda de tempo para quem se queira divertir um pouco, mas esta Vida Inteligente é uma grande desilusão.
Porque é bom: Algum brilho série B que nunca se assume; uma ou outra reviravolta inesperada, sempre muito dark
Porque é mau: Argumento e diálogos sofríveis, com um Ryan Reynolds no fundo do poço a relembrar um Deadpool versão rasca; personagens que são apenas máscaras estereotipadas; a condução emocional do espectador e a inserção da banda sonora são feitas de forma artificial e desarmoniosa; os primeiros 20/ 30 minutos são francamente maus; twist final patético

